|


Não! Não são murmúrios meus... nem teus... não
são! Mas eles chegam.
Ainda não sei quem os traz. Se vem dos delírios
com que me acordam à noite, ou,
apenas restos amargos de sonhos que expirados
ficaram em qualquer lugar de mim.
E assim...tento deglutir o nó que apenas sufoca
a amargura do peito e me deixa estirada...
apenas estirada... abandonada no leito!
Talvez sejam os murmúrios todos do tempo, que
nem o vento dissipou...
Talvez seja a visita do vento sul que descansa
no norte...
Ou, quem sabe... a derradeira companhia da morte!
São murmúrios que gesticulam em meus ouvidos e
me fazem entender que não houve amor!
E que desfilam em minha face, somente lágrimas
de dor!
Argumentam tão fortemente que me deixam
dolente...
Erva daninha que vingou.
E eu pisoteio como tapete cheio de lodo numa
frenética vontade
de exterminá-la para que a ninguém mais denomine
de louca!
Louca... Louco...!
É que os murmúrios acordaram os meus e os
tornaram ébrios, afônicos,
roucos...muitos roucos...e mais ainda, muito
mais que loucos!
É que os murmúrios, como mímica, não me apontam
o caminho da vida e,
tão pouco, o caminho da sorte.
Levam-me, pelas mãos, desvairadamente, rumo à
estrada da morte.
E, o dia se faz nublado e, aos poucos, a chuva
molha-me a face, lentamente...Lágrima a lágrima!
Do céu, um murmúrio real me chega e me anima a
alma.
Afasta todos os fantasmas e toma me as mãos
tornando-as aladas...
E eu... em gratidão ao Criador vôo, céu adentro,
furo as nuvens
e me aproximo enquanto vão se desenhando em
minha boca uma, duas,
quantas e quantas deliciosas gargalhadas.
16/01/2009

No ar desde 10/02/2008

|
Home
|
Menu |
Fale Comigo
|
Voltar
|
Página
melhor visualizada em Internet Explorer 4.0 ou Superior: 800 X
600
Copyright© Arte & Poesia
- 2008 - Todos os Direitos Reservados
web:
www.mis.art.br
|