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Um Poema
Para Dor
Cida
Valadares
Ariovaldo
Cavarzan
Ah, como
dói esta dor de alma,
que
pouco, ou nada mais pode fazer,
que
suspira uma vontade calma,
de ter de
volta o que não se pode ter.
Dor
que toma conta, sorrateira,
quando se
vê, nada mais há a fazer,
entorpece, aliena, invade, inteira,
fazendo
soçobrar o meu viver.
E a dor,
aos poucos vai roendo,
com a
fúria mansa de um manso furacão,
de todos
os jeitos, mais e mais doendo,
falindo
as forças do meu coração.
Qual lâmina fria, corta e vai sangrando,
qual
brasa viva, queima e faz sofrer,
vai
minando e, aos poucos, sufocando,
até dar
fim ao meu querer.
E esta
alma poetiza como fase,
da lua
que nem sequer apareceu,
sentindo
falta do brilho em minha face
e de
saber para onde fui ...onde estou eu?
A
noite, insone companheira dos poetas,
faz-se
escuridão, sem lua, sem estrelas,
escancarando a sua frialdade passageira,
aparando lágrimas, sem ao menos entendê-las.
Talvez
entregue às mãos de uma saudade,
transparente e fina, como fina flor,
decorando, cada palavra, cada frase...
Para
compor... um poema para a dor!
Ah! esta
vontade calma,
de ter de
volta o que não se pode ter,
este frio
cinzel, qual poema que me corta a alma,
que invade, sangra e dilacera o meu inteiro ser...
05/12/2008
09/01/2009
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