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No meu olhar encontrarás minhas memórias
mergulharás sem limite e poderás desembrulhar
minhas feridas, ouvir-me as estórias...
E ficar, ou partir, esquecer ou testemunhar
as emoções e as razões da minha vida.
No meu olhar sentirás o meu queixume
Nas entranhas da minha dor, no transfigurar
da minha face... no negrume da noite, do meu
leito
no parto silente da solidão que me aprisiona.
A janela aberta... do meu olhar
e minhas asas que não voam
Como eu queria, espaço adentro flutuar
no infinito deste momento e perpetuar o
esquecimento.
No meu olhar...
No meu olhar te escorregarás na minha dor e
ensandecida eu gritarei
escondida num canto qualquer de pranto e
sentimento
à margem do meu tormento
Testemunha serás do gotejar intermitente, como
vertente,
latejando... chorando... chorando...
do meu olhar.
No meu olhar...
Só encontrarás, tristeza, decepção, fraqueza
Enquanto, do amor não sofrer
o brilho nem a sensação
do ápice da entrega e da paixão.
Do reconhecimento e da imensidão
caminho e direção
O MEU OLHAR
só sobreviverá
Se o teu olhar encontrar
e indiferente de meu e teu
Quando te olhar
Quando me olhares
à luz do amor reconhecer
Imensamente... profundamente
a existência de um só olhar.
O nosso olhar... O nosso olhar
O NOSSO OLHAR!
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Belo Horizonte/10/03/08
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