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Talvez, sim, o amor me espreite pela fresta de uma
janela quase cerrada, sim.
E coloque seu olhar em mim, sobre meu andar cansado e me
penetre a alma,
adentrando como uma aragem que o vento soprou ...
Talvez, ainda, o amor me espreite quando me traz à tona
o desfile de meus sonhos,
perfilando-os de volta ao
passado, enterrando-os em covas rasas dos sem nomes,
dos sem identidades, pobres indigentes sem direito a
deixar... nem saudades.
Talvez o amor esteja à minha volta, sem saber porque
porta entrar...
Aquela fresta da janela, com certeza há de empenar e o
amor, bem devagar,
se ajeitando aqui e ali, se espremendo, com os olhos
voltados para mim....
Sedento para chegar e preencher os espaços, todos vagos,
vazios,
com marcas de feridas ainda vivas, feitas à brasões de
estórias mal vividas.
De olhos bem fechados, pensarei um sonho e me deixarei
ficar,
desfalecida, que importa? Talvez, neste momento,
um rojão de vento abra a porta e o amor chegue, enfim...
Não há de me fazer promessas... Há sim de me adentrar
pelos olhos
e chegar ao meu coração e alma, e ao meu corpo,
com toda calma... sem pressa... sem explicações...
Vivendo o momento, sem pensar no porvir.
E, sem dizer a que veio...
Jamais Irá Partir!
24/02/09
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