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Senti os respingos das ondas... Ouvi o gemer de
todas as gaivotas e o pio do mar... a me chamar.
Senti saudade de um ventre onde pudesse
descansar. Onde pudesse crescer e novamente,
nascer.
Somente o quebrar das ondas na areia seriam os
movimentos permitidos...
As contrações do mar!
Em águas profundas...
me deparei retirando de mim coisas imundas, não
mais fecundas.
A transparência das águas faz possível achar o
que se quer e eu....achei em mim, a mulher.
Dialoguei comigo mesma e fiz com que as bolhas
surgidas dos movimentos de meus beijos
pairassem, voláteis, bailassem acompanhando o
ritmo de meus cabelos.
Em águas profundas...
Assisti o parto de minhas dores, o gemer dos
meus amores.
Menstruei minhas cólicas de cócoras e pari todos
os sentimentos lúgubres, funestos...
Em águas profundas...
Distante do mundo, senti o mar cortar-me o
cordão e eu subi...
Leve e tênue como uma pluma...
Flutuando no mar...adentrando no ar...
Respirando o perfume, antes da noite tragar.
Afrontando o negrume da noite sem lume.
Em águas profundas...
Percebi novo corpo, nova alma também,
Sem passado, sem futuro...
Sem coisa alguma, qualquer.
Percebi-me apenas...
Uma nova mulher!
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25/02/09
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