Quando eu nasci argum dia,
lá no século passado,
a vida era diferenti,
o mundo mai acomodado.
Genti, tudo tinha chero
fosse di fror ô baxero
era faci sê notado.

Os guri jogava bola,
minina tinha otros feito,
ora a brincá di casinha,
dargum jeito dava jeito.
E cresceno divagar
eis pensava im namorar
tudo certo, sem defeito.

Argumas eu vi dá luiz,
anti do tempo aprazado,
mai isso num era defeito,
e sempre foi ajeitado.
Que a luiz era, na verdadi,
a maió filicidade:
argum bebê arrojado.

Otas casava certinho,
cum marido bão de traia,
tinha festa, beberança,
darveiz baile, inté gandaia.
Mai tudo era no rear
cos noivo o zóio a virar,
e as lua de mer na praia.

Mai hoje os tempo mudaro...
Chega me dá inté gastura,
ninguém mai é di verdadi,
nascê é grandi aventura,
que dasveiz num concretiza,
e o bebê some na brisa,
e o povo aqui discunjura.

Puis já viro inté o retrato,
lá da mãe embarrigada,
na parede dargum site,
tudo enfeitada, froriada.
E não mai que de repenti,
fica tudo diferenti,
somi a mãe, num fica nada.

Mai dasveiz nasce de fato.
Então já lhe botam um nick,
sobrenome ninguém usa,
pá registrá basta um criqui.
Sorta o bichinho na net,
seja João, Maria ô Beth,
Vai pá iscola do trambiqui.

Mete o dedo o dia intero,
cresce assim, ao deus dará,
nesse mundo virtuar
cricano pra lá e pra cá.
E já aprende as marvadeza,
a mãe lhe dano presteza,
pai a lhe disvirtuá.

Quando vira adolescenti,
seja homi ou muié
nunca que diz a verdadi
que a verdadi ninguém qué.
E a loirinha cinderela,
quem num qué casá cum ela?
Tem cara de lucifé.

Memo assim eis vão im frenti...
Se marcá incontro, casa.
Módi que os tar finarmente,
num mudô nem criô asa.
Homi e muié tem o trem,
capai de fazê neném,
e nisso eis ainda arrasa.

Mai lá dipoi de casado,
eis vareia novamenti,
nada mais é cumo antis
nem chifre é o de antigamenti.
O que era senvergonhice,
hoje é pura brejerice,
que no virtuar consenti.

As muié tem um marido,
esse é sagrado di fato.
Mai dispoi vem os tar caso,
num podi sê condenado.
Afinar é virtuar,
quem é que podi maldar,
virô moda e tá falado.

Nem tem mai dor de cabeça,
nossa véia cunhicida...
mais comi gato por lebre,
e fica filiz da vida...
o marido com seus gaio,
levanta e vai pro trabaio,
e a muié fica na lida.

Sapeca tudo dipressa,
a tar rainha do lar,
queima bife, arroiz, fejão,
pramodi ir conectar.
Então vira o rola rola,
dasveiz na puesia imbola,
ninguém pode pensá mar.

Inventaro um tar dueto...
Eita trem safado à beça!
Ele canta discarado,
no verso que ela cumeça.
De reco-reco ou pandero,
passa os dois o dia intero,
no tar mesene que acessa.

Quando o marido retorna,
dipressa baxa a curtina,
vorta tudo no normar,
com a isposa genti fina.
Ele num conta as mutreta,
ela finge que é careta,
os dois, a farsa domina.

Mais ainda num inventaro,
remedinho bão de fato,
módi sigurá a veice,
e o isprito paga o pato.
Que essi tar nunca enveiéci
e quem vê falá, pareci,
que é um garanhão o carrapato.

Tá iscorado nas barranca,
malemá eli para im pé,
já tá rastano o chinelo,
quem aguenta é só a muié.
Mai no mesene é o tar,
que faiz Maurício Matar,
parecê um véio quarqué.

Memo assim ainda morre...
Que isso tamém num inventaro.
Dá o nó na marfadada,
pra isso ninguém prestaro.
E vira santo barroco,
memo seno do pau ôco,
nas ode que lhe ofertaro.

Deixa intão incomendado...
No mar, as cinza ispargir!
Mai se ficá mai barato,
num quisé o mar puluir,
serve a tumba diferenti,
com o micro bem na frenti,
ondi vão chorá ou rir.

É, meus fio, é jogo duro...
Num adianta bufar,
nem mandá bala perdida,
pro lado da bêra mar.
A bicha tá incapetada,
e num qué morrê ingasgada,
puis tem muiiiiiiiiiiiiito a cordelar.


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No ar desde 10/02/2008




 


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