Pálida e reumática, em cima do morro.
As janelas não mais ornadas pelos suspensos canteiros de flores
não exibiam margaridas nem flores do campo,
e o plácido vento não balançava.
Os primeiros raios de sol pareciam acarinhar refletindo o orvalho
que a fria madrugada deixava , como que a marcar presença.
Meu coração parecia não querer se conter...de emoção, de alegria?
Só sei que um turbilhão de lembranças me atropelava a mente
 e eu me vi, quanto tempo, não sei, parada como a querer puxar de volta os anos e me adentrar, novamente, àquela casa:
- a minha casa.
Abri, cuidadosamente, a porta que rangeu saudade.
À primeira vista o sol deve ter espanado a poeira e
ofuscou-me os olhos marejados de lembranças.
Lá estava ela... a escada, lá no fundo, rebolando-se em curvas,
no corredor vazio.
Gritos ecoaram, o papagaio falou: olá...pode entrar.
O frio me lembrou o trepidar do fogão à lenha e senti o
gosto do cafezinho quente
com a broa de fubá que a minha mãe fazia.
Adentrei-me aos quartos, tão sem calor.
Procurei, nos cantos, lembranças de mim, não as encontrei.
Cadê a minha bonequinha preta, minha fazendinha de bichinhos de
Chuchu que meu pai fazia.
Cadê os ovos da galinha, e o ovo de ouro que também não encontrei.
O pé de manga espada e a jabuticabeira, a horta, o jardim...
Todas as flores que eram minhas
e as que não eram, também.
Viajei minhas adolescentes lembranças...porque cresci?
Minha casa...que saudades! Quantas!
Hoje, quem me abriga é o meu coração.
Percorro-lhe todos os cômodos, abro-lhe as gavetas e delas
retiro minhas lembranças.
Assim, o tempo há de me conceder tréguas e não precisarei
percorrer tanto caminho de volta.
Plantarei flores no jardim do meu peito que se balançarão quando
me debruçar na janela dos meus olhos.
Ouvirei o eco de muitos sons e de muitas vozes e não me calarei.
Docemente, cantarei um canto para os meus sonhos
e dormirei hipnotizada por minhas visões.
Correrei ao vislumbrar uma imagem...
Será miragem? Ilusão?
Não...vejo-a, nitidamente, no esplendor de sua existência.
A minha casa...bela...iluminada, aconchegante.
Todos me esperam e a tudo encontro.
Desenfreada corro ao encontro de mim mesma.
Ouço a canção que canto... puro encanto!
O cansaço me vence...
Exausta adormeço. E acordo,
Mais uma vez...dentro do meu coração.



BH, 23-06-2008







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