ARTE & POESIA - Cida Valadares - ABDUZIDA

 







 

Meu corpo não se conteve...
Foi loucura?
Adormeci!
Não me dei conta por quanto tempo vaguei...
pelo espaço e, aos poucos,
fui me acordando de mim.

E, de soslaio, meus olhos ainda sonolentos,
se apercebiam de que eu não estava,
verdadeiramente, no lugar
para o qual era levada.

E, nesta viagem... me vi fada,
dominei dragões que me apavoravam...
percebi castelos e,
numa intensidade imensa... subi.

Entre uma e outra reflexão percebi que a
minha vida inteira
se transformaria mas não sabia, ao certo,
se voltaria, tão pouco, se ficaria...
onde chegasse.
Mas os dragões que me amedrontavam
foram sendo vistos por outra ótica.

Encarei-os de frente e percebi que
foram se escorrendo de mim medos,
torturas, silêncios,
vazios e dando lugar ao embate perfeito
das lutas travadas, mas venci!

Passei a enxergar a vida como ela é.

As ilusões, devaneios, corridas frenéticas
em buscas de sonhos, cuidadosamente, carinhosamente,
guardei os que realmente
poderiam me pertencer, desfazendo-me de tudo
a que jamais pudesse conquistar
visto que não seria conquista.

Pesei minha condição de conviver
com minhas emoções,
se extrapoladas, e a elas também
defini viver, ou não.

Admiti abrir portas para o amor assim,
como fechá-las,
antes que elas se fechem para mim.

Tomei as rédeas de minha vida e sei que,
esta fera, não mais será ferida. Decidi ferir!

Decidi que de meus olhos não brotarão
mais lágrimas de sofrimento, só de emoção.

Busquei meu sorriso...
onde foi mesmo que ele ficou? Que importa.
Encontrei-o, mais bonito, ainda.

Abri os olhos... e percebi que,
da minha cama, não saí.

Mas uma nova mulher nasceu...
confiante, cheia de si.

Linda, exuberante, totalmente refeita pelo ser
que trouxe do espaço,
para seus sonhos já que este ser,
não encontrei aqui.

E, percebi, afinal, que para esta
transformação acontecer...
De cabeça erguida eu agradeço porque fui...
ABDUZIDA.

Abduzida por um ser que se adentrou em mim,
por meus suores, meus poros, me fez faxina...
roubou a cena e, assim,
como me levou me trouxe,
pronta para prosseguir...
Deitou-me em meu leito e... talvez tenha
checado-me o peito, antes de partir.

E se foi, à madrugada, antes dos
primeiros raios do amanhecer.

Em meu coração, no entanto,
deixou-me um chip prá me evoluir.

Hoje, serena, acordo de minhas noites preenchidas
de sonos e sonhos renovadores sabendo que,
em todas elas é só dirigir um pensamento
ao além que o amor vem...
e me faz sentir, totalmente renascida...
guarnecida, agradecida... novamente
ABDUZIDA!
 

 

KIDNAPPED

CIDA VALADARES



My body did not control itself...

was it madness?

I fell asleep!

I was not aware of how long

I wandered...in the space, slowly,

I woke up.

Sideways, my eyes still drowsy,

knew I was not really in the place where I was being taken to.

And in this trip...

I saw myself as a fairy,

I subdued dragons that used to scare me...

I saw castles and, very intensely... I climbed.

Between cogitations I understood that my whole life would change,

but I did not know for sure if I would go back,

if I would stay where I would arrive.

However, the dragons that used to frighten me were being seen in a different manner.

I faced them, and I noticed that fear, torture, silence and emptiness started to get away from me,

and in their place there appeared the perfect struggle of the fights I fought, but I conquered!

I started seeing life the way it is.

The illusions, daydreams, wild searches for dreams, carefully, tenderly,

I kept the ones that could really belong to me,

getting rid of everything I could never subdue, given the fact that it would not be a victory.

I weighed my condition of living with my emotions, if extrapolated, and I decided whether or not they would live.

I decided to open doors to love, and I also took the decision to close them,

before they close themselves on me.

I made the decision to control my life, and I know that this wild animal will not be harmed any longer.

I have decided to hurt.

I have decided that my eyes will not produce tears of sadness anymore.

From them will come only tears produced by emotion.

I searched for my smile ... where did it stay?

It does not matter. I found it even more beautiful.

I opened my eyes... and I noticed t

hat I had not gotten out of my bed.

But a new woman was born, trustful, self-confident.

Very beautiful, exuberant,

wholly made over by the being she brought from the space,

to her dreams, since I did not find this being here.

And, after all, I realized that, in order for this transformation to take place...

standing tall I give thanks for having been KIDNAPPED.

Kidnapped by a being which entered me,

penetrated my sweat, my pores, cleaned me...

stole the show, and just as it took me, it brought me back,

ready to go on... it placed me on my bed and...

perhaps it checked up my chest, before leaving.

It left before dawn, before the first sunshine.

However, it left a chip in my heart, in order to make me unfold.

Today, calm, I wake up from my nights full of renewing slumbers and dreams,

knowing that, in all of them, I just have to think of the beyond,

and love will come...

and make me feel wholly born again...

garrisoned, thankful...again

kidnapped.





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