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É tarde e
a lua espreguiça como
que a acordar o sol.
As estrelas, meio
dormentes, piscam um
piscar dolente.
As nuvens se esparramam
e vão desnudando o céu.
O alvoroçar dos
pássaros, a natureza
agita,
o vento, devagar se
agiganta e grita
e minha alma...
entristecida, num gesto
de entrega... fica
contrita.
Voa, coração!
Hospede-se naquela nuvem
que quer encobrir a
estrela.
Descanse ao rumor da
chuva que tamborila,
adormeça o cansaço de
não ser feliz e siga
repetindo o eco da voz
que diz:
Voa, coração!
A vida passa,
sorrateiramente...
A terra seca sulcou suas
paredes
e vejo que seus sonhos
não descansam mais em
redes,
nem que o vento cobre de
folhas, a sua a solidão!
Como viajor sem destino,
faz de sua vida um hino,
e pernoite em meio aos
rumores da tempestade.
Sim, cada suspiro é a
lembrança de uma emoção.
Por isto, sem mais, ou
quase sem nenhum
alarde...
Abasteça suas asas de
saudade...
Agiganta seu voo e ...
Voa, coração!
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