ARTE & POESIA - Bem-Te-Vi
 




 

 


Era manhã de estio. Chovera dias e dias.
Era até difícil lembrar o céu azul de um recente verão perdido, as estrelas cintilantes, as folhas ao vento e o alvoroçar dos pássaros.

Olhando pela varanda do meu quarto observei, no fio de luz ainda molhado que passava bem rente ao meu nariz, um Bem-te-vi que, feliz, cantava como que a saudar o novo tempo: bem-te-viii... bem-ti-viiii...bem-te-vi...

Extasiada pela estridência do canto a solenidade do momento e a solitude do pássaro chamei Renata para apreciar, junto a mim.

Ali, dissemos do nosso pequeno guerreiro e de sua intenção de acordar o mundo. Dissemos das coisas da vida e, muito mais, das maravilhas de Deus. Seria impossível, diante daquele quadro, não falarmos de Deus!

É gratificante lembrar do abraço que nos fez descobrir a cumplicidade dos nossos sentimentos e a gratidão profunda a Deus por sermos como fôramos e nos termos como nos tivéramos.

E o Bem-te-vi como que a concordar conosco ficava lá aquiescente, forte, bravo, dono do mundo.

De repente se foi... Até que o perdêssemos observando-lhe o vôo.

Por muitas vezes eu e Renata comparávamos situações triviais, ou, não, com a postura daquele Bem-te-vi. Muitas vezes eu a chamava de Meu Bem-te-vi e ela simplesmente sorria, ou, simplesmente me olhava, sem expressar nada, ou, já expressando tudo.

Deus em sua sabedoria e amor infinitos acordou-me, outro dia, com o canto do
Bem-te-vi. Corri à janela (já não tenho mais varanda) rememorando toda aquela cena, (já não tenho mais Renata) me entupindo de saudades de uma saudade tão intensa que me doeu os ossos, naufragou-me a alma,
inundou-me os olhos.

Era o dia 7 de abril ( aniversário de Renata)

Obrigada, Senhor, por me acordar com esta visão tão linda e por trazer o céu a mim.

Para você, Meu Bem-te-vi.

Viste, hoje, o passarinho na janela?
Tão frágil, tão pequeno, tão delicada fera.
Parece procurar-te, de primavera em primavera.
Até... Pousar cansado, noutra janela.
Ouviste-lhe, acaso, o canto de saudade?
Também eu te procuro minha bela,
Encontro-te no meu peito:- fiz-te um ninho
Aconcheguei-te no meu altar de Deus...

É que aquele passarinho na janela
Lembrou-me o dia que há muito já perdi...
Bem me quiseste e tanto bem te quis...
Quiseste mais, eu sei, compreendi.
Tu frágil, doce, bela... Lembro-me de ti
Esquecer-te, meu amor, seria como me esquecer de mim.

É que aquele dia último de janeiro
Cerrou-te os olhos delicadamente,
E entre beijos eu te vi partir
Voaste!...
Voaste firme e decididamente
De volta aos braços do teu Amor Primeiro

E eu...
Fiquei aqui...
Eu... E aquele Bem-te-vi.

 

 




Clique Aqui e Envie
Para Seus Amigos



No ar desde 30/07/2008


 


| Home | Menu | Fale Comigo | Voltar |


Página melhor visualizada  em Internet Explorer 4.0 ou Superior: 800 X 600
Copyright© Arte & Poesia - 2008 - Todos os Direitos Reservados