Ah, amor... se você soubesse como está a minha alma, hoje.

Como chora o meu coração que só queria encontrá-lo mais um pouco e, com a câmera de meus olhos, num piscar de olhos fotografar...

Seria uma fotografia interna, subjetiva, que me permitisse retroceder no tempo e me envolvesse, qual auréola, qual efeito especial, qual redoma que me protegesse e não me tornasse vulnerável, não se violasse e não se perdesse na minha memória, permitindo-se a mim, fotografar tantos momentos.

Desses momentos posso citar a minha nudez quando consigo me despojar do que me reprime, do que me torna insone, do que me faz por demais triste, me derrota, me embarga a voz, me torna frágil, precária, doída até o âmago da alma, que nem sei onde fica... deve ficar em mim, inteira.

Desses momentos posso falar do meu crescimento como ser e da minha profundidade impercebível até aos meus próprios olhos.

Posso falar daquela Luz que persigo, daquela Luz intensa de que preciso...das vezes em que ela quase se apaga e das vezes em que a sinto esvair-se por entre meus dedos.

Das curvas do caminho... também posso falar.

Das minhas idas e das minhas voltas...

Se, na conversão de alguma estrada acontecer que algum nevoeiro me ofusque e alguma poeira me ataque e queime qual lesão alérgica que me curva, me cerre os olhos, me abata e que me inunde de esquecimento...

Aí, nessa hora em que me vejo esquecida, perdida... a saudade de mim me acorda, me cobra a realidade e me requisita íntegra (como sempre fui), verdadeira, de pé para recomeçar.

Então, calço novamente os meus pés e volto, onde for, para me buscar porque posso conviver com qualquer ausência, qualquer saudade menos a ausência e a saudade de mim mesma.

Até que Deus me cale a voz posso falar, inimagináveis vezes daqueles e de tantos outros momentos que eu venha a viver.

Posso falar, ainda, da voz do silêncio (grande silêncio)... o meu, o seu, o nosso silêncio.

Ah! a voz do silêncio... quem não a conhece? É a mais poderosa voz que já ouvi porque se deixa traduzir pelo coração. Coração... grande guerreiro... Já não dizia (Shakespeare)? que o "coração tem razões que as próprias razões desconhecem"?

E a vida? Que posso dizer da vida?

A vida vai criando sua própria coreografia. Aí... é preciso aprender a estender as mãos, perdoar e receber perdão, abrir o coração, acertar os passos, criar novos compassos e entender que solidão maior não é, de repente, sentir a ausência de tudo e todos que nos rodeiam.

É mais, bem mais que isso... É sentir a presença de tudo e de todos e a ausência de nós mesmos.

Espere aí... Só mais um momento...

Se me permite uma observação, (considero-o o ápice de mim mesma) e quero ofertá-lo, inteirinho, de presente, para você.

Preciso realçar este meu sorriso de que você tanto fala, meu momento de felicidade, de êxtase, de volúpia, devaneios, esperanças e, principalmente, meu momento de consciência.

Se um dia, hoje, amanhã, quem o sabe? no curso natural da vida nos deixarmos atropelar em qualquer esquina de uma estrada diferente e nos separarmos, não se preocupe porque eu já terei retratado você, acredita?

Você e sua ternura de hoje, seu carinho e essa incrível convicção de que terá sempre, a seu jeito, a seu comando tudo que determinou viver... não é verdade?

E os sonhos? Que realidade mórbida é esta que o faz contradizer-se a toda hora.

Que certeza é esta que você tem de que jamais sofrerá por amar alguém.

Talvez sofra ainda, e muito, por amar quem já se foi e por querer moldar sua vida em torno de suas lacunas.

Preserve-se porque você, verdadeiramente você é um homem especial - e será o grande presente de quem "te" merece pois em você existem muitos embrulhos que tomam o lugar de quem você precisa encontrar.

Quisera ter sido eu!

Perdoe-me se me atrevo a dar asas à minha imaginação que por si só já é fértil. Perdoe-me por traduzir sua voz em idiomas diversos, se consigo penetrar-lhe o coração matreiro, ávido de aventuras.
Perdoe-me se sua realidade não me passa desapercebida e por antever o contingente dos seus fatos.

Aspirei, ardentemente, acrescentar nem que fosse apenas uma partícula, por mínima que fosse, um algo mais à sua existência.

Lamentavelmente, não consegui.

Creia, finalmente, que nada acontece em vão e que, foi esta a única oportunidade de caminharmos juntos.

Acredito no núcleo giratório da essência de todos nós, na fé que muda a posição de tudo colocando-nos, no exato lugar de onde devemos recomeçar e reverenciar a conquista e desfrutar da felicidade a que, por ventura, tivermos direito.

Cuide-se, querido meu (indiretamente estará cuidando de mim).

Somos partes importantes de Deus.

Sei que se hoje tiver que virar esta página da nossa estória poderei levá-lo em minha lembrança alegre.

Quero poder reencontrá-lo sem ter que carinhar vazios, sem ter que chorar por uma saudade nova.

Que hoje, amanhã e sempre possa olhar profundamente nos olhos seus... acalentar o seu coração como, também, o meu.

Receber as suas mãos, encostar meu corpo no seu e... naquele abraço gostoso, eternamente dizer...

Ei, estava com saudades!

Foi um prazer conhecer você.





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No ar desde 30/07/2008


 


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