Há o Deus que está dentro num cabaz à espera,
Acordando conosco, conforta-nos,
falando como quem faz,
Acompanha-nos na terra calcorreada
Sem darmos conta... como em tudo o que é oco.

 

Quando estamos num sufoco num desespero de paz
Ele aparece na hora de ponta.
Se descobrirmos as baixezas da manta,
Ele nos acalma e acalanta, sorri com brandura...


Tem o mais deslumbrante sorriso do Mundo,
Natureza pura!

Ao ver o seu sorriso, entro no paraíso e me contento
E me acalanto...


Engolfo-me no puro canto e já não há pranto,
Golfinho nascido em mares de santo!

Tenho, porém que começar e me nascer:
Foi mentira, ó herdeiros da herdade deste universo,
Viageiros desta andança que se urge na mudança,
Foi uma mentira apregoada - por isso não digais em verso
(Isso é imposturice, no fundo!)
Que Ele nos tirou o paraíso por causa do pecado!

 

Lede do outro lado - no reverso do mundo.


O homem é que O tirou da Bem-aventurança,
E, por isso, só abunda quem nele quer abundância...

 

E é desta arte, que nele me afundo e me abundo!
Compreensivo no fundo como é,
Aguarda que seja reposta a verdade total...

 

A verdade dele todavia é que é a toda, a original
E a final, como se fosse a aurora
E o crepúsculo de cada dia num só sulco,
A verdade da formal virginal...
A verdade do que está oculto

 

... Oculto, escondido na cura que descura  e foi descurando,
Mantendo-se vivo no mais íntimo todavia
De cada criatura.

 

Quantas vezes, eu, meu Ele, me encontro
Como um tolo em cima da ponte,
Receando ser incompreendido,
Ridicularizado por qualquer novo Anacreonte,
Apopado e apoucado, zombeteado e chicoteado,
Pregado e ungido,
À fogueira dos mártires lançado
Surdo pelos urros no ouvido!


E com a mão decepada onde resplandecia uma semente
Com sentido profundo, à espera de florescer,
Se calhar vai demorar anos e anos até ser
(Mas se é para aguentar que aguente!)
E até dar no final a volta ao mundo
Pra nascer, simplesmente...

 

Vai haver quem troce, quem desacredite,
Quem zombe, quem agrida,
Quem fustigue na desabrida, quem nos (Ele e eu)
Ferre no índice dos proscritos,
Quem nos amarre a uma legenda no sangue dos escritos,
Esses que se nos arredaram fogueados!

 

Mas vamos, apesar do ressabiado, pelo lado enviesado,
O mais desfasado, o mais desfocado... e não faz mal
Porque sabe a sal de qualquer lado.

 

Plagiar-me-ão, todavia...
Aproveitar-se-ão desta via para tecer novas urdiduras,
(Aguentaremos a triste sina dos santos das escrituras!),
Urdiduras mais belas e mais impuras
Na diferenciação por artes do ofício e do artifício,
Que não importam porém
- Há alguém descobrindo sempre a sua mãe
Pelos mais simples filamentos e ornamentos
E repondo a verdade na salina ou na herdade...

 

Por aqui é que vou indo e me respondo...
Já não sou louco: há o Deus que ninguém vê
E nem aperta tão pouco,
Dentro de mim está , cheio de paz, oculto,
E me conforta nesta frente,
É quase milagre o que me diz e o que faz e o que acerta
Ao deixar sempre num cabaz
A porta aberta.

 

 

 




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No ar desde 30/07/2008



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