(Para meu filho, Thiago)

 

 

 

"Senhor, dá-me um filho? Prometo cuidá-lo, respeitá-lo, amá-lo mais que a mim.

Prometo jamais me esquecer de que ele a Ti pertence e que a mim, será concedida a honra da maternidade que é o que mais almejo, em minha vida.

E o Senhor me concedeu a graça de ter um filho.

Deu-me Renata.

Tempos depois...

"Senhor dá-me outro filho?

Ao meu coração o Senhor falou.

— Pode cuidá-lo? Tua vida anda tão conturbada. Renata demorou tanto para superar as dificuldades de uma criança prematura.

Mas... Senhor, eu farei tudo  que puder. Dá-me outro filho?

E o Senhor me deu. Nasceu Jean.

Tempos, bem mais, depois...

"Senhor dá-me outro filho?

— O quê??? Acaso não sabes o quanto sofro em ver a tua luta para criar os dois que te dei.

Não, filha, não seria bom. Já andas tão  doente.

Ouço-te, no palpitar do terço, chorar a suplicar-me o que eu sei, antes que me peças, do que precisas.

Triste voltei para a realidade. Mas meu coração não se aquietava. Eu queria outro filho. Sonhava... Até que...

Ouvi dizer que havia liquidação no céu.

Isto mesmo lembra-se Thiago, da história que um anjo me soprou para acalentar-te?

"Mamãe... gritava Thiago, aos prantos, quando abri a porta chegando de mais um dia exaustivo de trabalho.

É verdade que você me achou numa lata de lixo?

Que eu não sou seu filho?"

De onde saiu este absurdo, meu filho? Abracei-o, beijei-o e ele chorava.

— O Jean e a Renata disseram que não sou seu filho.

Falaram bem assim:

Veja seus olhos, são verdes. Os nossos são?

Veja o quanto você é mais novo do que nós.

— Meu Deus, roguei, neste momento, inspiração para acalentar meu filho.

Foi assim, filho... Vou contar-te tudo, tudinho.

Depois de pedir ao Senhor, outro filho, após sete anos de diferença do nascimento de Renata e cinco do nascimento do Jean, Deus não achou que seria a hora.

Mas, ai, eu não me conformei e sonhei aquele sonho em que um anjo me dizia haver liquidação no céu.

Lá fui eu. Chegando lá fiquei frustrada, pois a liquidação havia acabado.

Um anjo olhou-me e eu chorava muito.

O céu era tão lindo. Borboletas voavam gaivotas também. Flores o encantavam...

De repente... ouvi um choro de neném.

Olhei e descobri um neném num cantinho.

O anjo se aproximou e fez sinal de silêncio. Pediu-te que calasses.

Ai, eu perguntei.

— E este neném ai?

Ao que o anjo respondeu:

Está com um leve defeito e por isto sobrou.

Como, sobrou? Defeito? O quê??? - Chame Deus, por favor!

Deus veio e, todo solícito tentou explicar-me:

É que... acho que misturamos a massas e ele ficou assim, meio anjinho e meio capetinha então não o disponibilizei para a liquidação.

Senhor Deus, olhando-O mostrei uma nota de 100,00, dizendo.

Trouxe 100,00. É toda minha economia, ao que Deus sorrindo  retrucou:

100,00? De que e vale isto com a inflação aí na terra?

Naquele cantinho continuavas a olhar-me e a chorar como que dizendo: mamãeeeeeeeeeeeee.

— Eu o quero Senhor, eu o quero, disse afoita.

 

Deus, então me falou.

Volte logo para a terra, antes que eu me arrependa.

Não aceito devolução nem troca.

Era tudo que eu queria. Voei de volta abraçada a ti.

Como era lindo o meu neném que já me olhava com jeito de dizer: mamãeeeeeeeeeeeeeee.

E assim, eu te trouxe. Nasceste de uma liquidação do céu.

Por isto é tão levadinho e, ao mesmo tempo, tão angelical.

Os olhos verdes brilharam de satisfação.

Desde então, não direi que fomos felizes, para sempre.

Somos meu filho, felizes e o seremos, para sempre.

Ao anjo que presente tão lindo me deu, ofereço uma flor.

 

 

 

 




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No ar desde 30/07/2008



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