Quando já não sei pensar ao cair de irrespiráveis dias de vida,

Ouvindo muitas vozes vindas de dentro,
Escondendo-as das estrelas que se dobram à volta,
Já não sabendo mais como posso imaginar por baixo, sem ti,
Nas traves da cabeça a rodar,
Nas traves rijas dos céus a gritarem,
Nas traves do imenso e misterioso mar,
Infelizmente não sei mais como fechar-me em duas conchas!
 

Tenho guardado pérolas preciosas e ferozes,
Envoltas pelo frio desconhecido, que gritam e clamam a mim.
Oh, Deus meu, dá-me sabedoria, saúde, humildade e vigor,
Pois muito me deste por meio de suores vertidos
Desses grandes mestres, que nas suas humanas glórias
De cima olharam e viram-me.
 

Muitas pessoas já se calaram, mas ainda estão a ensinar-me,
Pois as posso sentir pulsando dentro de mim.
Quando já não sei mais falar, pouco enxergar e escutar,
E te digo nada sei, tu e elas ordenam-me: faça!
Plantamos, logo, colher queremos por meio do teu ser, coração!
 

Senhor, por que não afasta de mim este cálice? Viciada sou!
Tantos viraram as costas, negando-me sons!
Quando, então, teu irrespiravelmente puro amor
Deixar-me-á observar sorrindo, que, ao tentar ser grata aos mestres e a ti,
Colherei tulipas, rosas, orquídeas, trigos, frutos, caninos, felinos e amigos

No caminho espinhento desse semear?
Quando verei as trevas dos nossos duros corações transformarem-se

Em reluzentes e infinitas luzes no infinito amor amar?

 

 

 

 

 

 

São Paulo, 05.IV.2014
01h23m

 

música: Robert Schumann

Piano Concerto in A minor, Op. 54 - I. Allegro affetuoso

 




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