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Sempre me
pergunto por que ainda não te procurei,
em versos, ou em prosa,
num
conto... numa história... por que?
Por que
não te venerei em minha poesia que,
com certeza, foi de ti que herdei o gosto.
Pai, meu
pai... minhas palavras se engasgam,
minha voz emudece e, em meu peito,
não ouso
tocá-lo, não.
Talvez
não queira acordar a dor
de saber-te distante de mim ou...
talvez não a tenha
conseguido adormecer, ainda.
Tanto
tempo se passou desde que me deixaste...
Teus netos lembram-te com alegria, sabe? E
eu os invejo.
Porque
levantam, aos céus,
um cálice de brinde aos velhos tempos...
quando teu time
ganha...
quando se reúnem, quase todos,
em festa de família como
em nosso último
natal e ano novo.
Eles falam
de ti, com leveza,
com saudade administrada,
com gratidão, com orgulho.
E eu me
questiono: que amor é este, Pai,
que só passeia em minha face,
borrando meus
olhos e
retirando-me a máscara de ser feliz?
Quantas
vezes me disseste
que darias tudo para eu feliz fosse.
Talvez
seja por isto que eu não sou,
pelo menos da forma como eu gostaria de ser.
Que
saudade é esta que não arrefece e não se aquieta.
Porque não
se acomoda, esta hora triste,
e me deixa falar de ti.
Ainda não
foi desta vez, Pai.
Quem sabe amanhã eu consiga?
Quem sabe
amanhã não seja tarde, ainda,
para dizer-te que em minha memória
não há lugar
para esquecimento e que,
qual personagem de um conto de fadas
daqueles que
gostavas de contar
tendo-me junto ao colo teu, apenas te encantaste.
Quem sabe
amanhã não seja tarde, também,
para dizer-te que cedi a todas tuas chantagens e
que eu achava lindo quando,
à tarde telefonava para o meu trabalho.
Com aquela
vozinha fraca, hospitalizado,
às vezes, dizias a mim:
Filha, vem...
Talvez, no
próximo feriado eu não esteja mais aqui.
E ríamos
depois, porque tu ficaste,
Pai, por muitos e muitos feriados.
Mas não o
bastante, para que eu me esqueça
de relembrar-te em todos os outros.
Que bom
que eu fui, Pai...
Todas as vezes. Sim, todas as vezes.
Que bom
que eu fui, Pai.
Que bom!

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No ar desde 30/07/2008


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