Para a querida Verinha.

 

Que o dia seja hoje de harmonia, os dedos dos pés a mexer ao acordar, o sol a entrar pela janela transparente. Que seja dia de recebera bênção da vida e ela reverbere. Seja 'bom-dia’, e seja continuamente 'graças a Deus’, pois é mais um dia. Se chover que o sol esteja bem acumulado dentro de mim, e eu o possa irradiar. Seja a tua cara a face do sorriso, refIectindo o meu. Ontem o dia já morreu com o passado. O dia de hoje é empolgante, edificante, e amanhã por contágio imanente será o que Deus quiser, mas farei tudo se for vivo para que o sol continue a aquecer a alma de quem dele precisar. E se ontem errei em algum pormenor na minha acção, hoje corrigi-lo-ei como é costume. O que passou é passado e não se repete quando é erro. Pois, quando se lava a cara, lava-se também a alma em cada manhã.

 

Daniel Cristal

 

 

 

 

 

 

 

Armando Figueiredo, Poeta Maior Daniel Cristal, no dia vinte e três de fevereiro deste ano, você postou uma bela mensagem e registrou: "Para a querida Verinha".

 

Muito obrigada, meu querido! Como sempre, publicamente, você é afetivo, sensível e muito gentil para comigo.

 

Tive o prazer de conhecê-lo em 1998, por meio da nossa famosa e inesquecível Lista Lusofonia. Quase, pessoalmente, na última vez que em Portugal estive, trocamos algumas palavras, não? Mas, infelizmente, você chegou à casa dos meus amigos-irmãos quando eu acabara de partir de Porto.

 

Ressalto esse fato para marcar que nossa amizade, pelo tempo que tem e pelas muitas águas que vimos correrem debaixo das pontes, dá-me a liberdade de dizer que o conheço razoavelmente bem. Assim como a muitos amigosque sempre nos cercaram na Lusofonia, depois no Grupo Alma Lusa e no Fórum dos Mestres Aprendizes.

 

Ora, Armando, tenho o prazer de ter nessa minha página o que escreveu: "O que passou é passado e não se repete quando é erro. Pois, quando se lava a cara, lava-se também a alma a cada manhã”.

 

Percebo, mais uma vez, seu coração lindamente amoroso; claramente bravo, às vezes, mas mole como a água em outras; eletiva; sensibilidade;  elevadamente sonhador; perseverante e sincero; inteligente, culto e exigente, sendo,por vezes, intolerante;  sentimento inteiro e condutor de um fio de ouro à inteligência: buscando a consciência, como um garimpeiro à procura do cristal.

 

Ah, meu Deus, como é bom estar com pessoas que algumas teorias rotulam como gênios! Assim, ouço um deles a cantar:

 

"Quero dos deuses só que me não lembrem.
Serei livre — sem dita nem desdita,
Como o vento que é a vida
Do ar que não é nada.
O ódio e o amor iguais nos buscam; ambos,
Cada um com seu modo, nos oprimem.
          A quem deuses concedem
          Nada, tem liberdade."
(Ricardo Reis, in "Odes” . Heterônimo de Fernando Pessoa)

 

 

Poeta Daniel Cristal, tendo-o como fiel, bondoso e sensível amigo, afirmo-lhe: "Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?" (Fernando Pessoa).

 

E ao dar laço nessa conversa, Armando, refleti, mais uma vez, sobre a importância das relações vinculares entre os que vivenciam, juntos, o processo de construção do conhecimento, e experienciam situações comuns de encontros e desencontros, no cotidiano das relações interpessoais. Veio à mente o conceito pichoniano de processo vincular:

 

[...] a maneira particular pela qual cada indivíduo se relaciona com outro ou outros, criando uma estrutura particular a cada caso e a cada momento, é o que chamamos vínculo (PICHON-RIVIÈRE, 1998, p.24).

 

 

Vera Pessoa

São Paulo, 01.III.2014

http://vimeo.com/84365504

 

 

 

 

Música: The Second Waltz com Andre Rieu

 

 




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